Penny Dreadful – Episódio 2: não assista antes de dormir

O segundo episódio de Penny Dreadful começa ainda de forma suave e calma, seguindo o ritmo do final do primeiro episódio.

Inicia com cenas dos personagens Dr. Frankenstein e Proteus. Em seguida surgem cenas de Mr. Chandler e Ms. Brona, a mais nova personagem introduzida na série, que parece chegar como uma novidade boa. Brona parece vir para trazer um pouco mais de calor para a nossa história.

uma trama sombria e cheia de mistérios, que tem a intenção de nos envolver e nos deixar curiosos

Aparentemente, a função dessa personagem é inserir um pouco de drama e sentimentos no dia a dia dos nossos personagens, e para tirá-los um pouco da rotina de caça à Mina e do mundo sombrio e místico que eles acabaram mergulhando.

Dorian Gray

Dorian Gray / Tumblr Show Time / Divulgação

Mas este clima caloroso, positivo e quase – enfatizo, quase – alegre termina no exato momento em que Ms. Vanessa Ives pronuncia a palavra “segredo” ao final de uma cena, e ao cortar para a próxima cena vemos um personagem novo: Dorian Gray.

E com Dorian Gray, temos novamente o tom sombrio, misterioso e instigante da série em predominância. Para quem não lembra, Dorian Gray é o famoso personagem de Oscar Wilde, aquele que “perde sua alma” em uma busca infinita pelo efêmero.

Vale a pena conferir mais a respeito da história, pois o personagem em Penny Dreadful é uma bela homenagem ao personagem original, não fere a obra em nada, e utiliza a mensagem original com a mesma perspicácia.

Nas cenas seguintes, o episódio se compromete fortemente a nos mostrar que Penny Dreadful é, sim, uma trama sombria e cheia de mistérios, que tem a intenção de nos envolver e nos deixar curiosos, instigados, com vontade de descobrir quais mistérios existem na vida pregressa dos personagens. Mas que, ainda muito mais do que isso, Penny Dreadful quer nos surpreender e nos matar do coração! (risos) Se você ainda não assistiu, e se você tem distúrbios do sono, aceite meu conselho: não assista antes de dormir.

[Atenção, se você não assistiu ao episódio, pare de ler aqui. Os parágrafos abaixo contém spoiler].

Penny Dreadful

Eva Green / Tumblr Show Time / Divulgação

Ou então continue lendo e divirta-se sabendo o que acontece de tão macabro neste episódio a série.

Este segundo episódio começa a nos mostrar, ainda aos poucos, que o passado dos personagens (todos eles, sem exceção) está coberto de detalhes sombrios que não nos permitem julgá-los. Não conseguimos fazer nenhum senso de caráter de nenhum deles. Quando achávamos que poderíamos definir Mr. Malcolm como um homem que sofre em busca de sua filha, quando começávamos a sentir pena dele, acabamos descobrindo que… hum… talvez… nem tanto…

A cena é perfeita, linda, e Eva Green dá um show de atuação

Quando achávamos que Ms. Vanessa Ives poderia ser uma aproveitadora, estar buscando algo em razão própria, e não estar efetivamente interessada em encontrar Mina, começamos a descobrir histórias de seu passado que jamais imaginaríamos! A sensação de descoberta que o segundo episódio (e os próximos, ainda muito mais) começa a nos trazer é fantástica.

E todas estas revelações começam a acontecer na festa de Mr. Lyle, do museu, quando a vidente, que em princípio parece charlatona, Madam Kali, coloca alguns convidados sentados à mesa e finge (ou não finge? Não fica claro) invocar espíritos. Enquanto Madam Kali murmura algumas palavras e gesticula, Ms. Vanessa Ives, que desde o primeiro episódio nos instiga com aquelas aranhas saindo de traz do crucifixo quando ela reza, se revela um poderosíssimo receptáculo para possessão demoníaca (ou de algum deus egípcio anterior a Amunet? Não sabemos).

Penny Dreadful / Eva Green

Eva Green / Tumblr Show Time / Divulgação

Velas apagadas, vidros quebrados, Ms. Vanessa Ives levitando, falando um dialeto desconhecido. E tudo isso era só o começo. Depois de levantar e subir na mesa fazendo movimentos semelhantes aos de um animal selvagem, ela começa a revelar segredos obscuros do passado de Mr. Malcolm de uma forma tão cruel que é inimaginável acreditar que ela não esteja possuída por algum ser de extremo mal. A cena é perfeita, linda, e Eva Green dá um show de atuação.

Passado susto dos personagens, e o nosso, as cenas finais no encantam novamente. Proteus passeia pela cidade e vai recobrando, pouco a pouco, a memória de sua vida anterior. Ele se lembra de seu trabalho, da cidade, dos barcos… da esposa. Dr. Frankenstein está radiante, quase não acredita que a sua cria está se tornando humana, que está relembrando uma vida aparentemente feliz.

E quando nós pensamos que o segundo episódio já abusou da nossa produção de adrenalina e do nosso pobre coração, em meio a um sorriso, Proteus é dilacerado peito acima por uma mão que surge do nada! Era a primeira cria de Frankenstein, o “primogênito”. A cria que, claramente, não foi tão feliz quanto Proteus parecia ser com a vida que Frankenstein lhe deu.

Nos próximos episódios saberemos o que aconteceu e porque as coisas chegaram neste ponto tanto para Dr. Frankenstein quanto para Mr. Malcolm, Ms. Ives e todos nossos personagens.

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